segunda-feira, 25 de abril de 2011

Meditação e dharma


Meditação e Dharma
Hoje, através do ocultismo, sabemos que a essência humana tem origem na mônada, que se “separa” do Absoluto e se manifesta na matéria em busca de experiências.
Através de um plano evolutivo, os seres vão pouco a pouco se tornando conscientes de si mesmos de tal forma que essa consciência contribui para que o próprio Universo possa se ver melhor. Isso porque quando uma consciência evolui, aprende, todo o Universo aprende com ela. Todas as individualidades estão conectadas entre si e formam um todo indivisível. É uma ilusão, a percepção de que temos existência intrínseca e independente.

O quadro acima demonstra os diversos planos de existência do ponto de vista da densidade da matéria. Cada um deles, com exceção dos níveis Mental Superior e Mental Inferior, são compostos por sete outros subníveis. Notem que o etérico e o físico estão no mesmo plano, o etérico (fogo) com 4 subníveis e o físico com 3 subníveis (sólido, líquido e gasoso ou terra, água e ar).
Então a vida vai se tornando consciente de si mesma à medida que acumula experiências em cada plano da matéria. Mas embora toda individualidade tenha a mesma essência do absoluto (como uma gota d’água tem a essência do oceano), sua percepção está obstruída pela própria matéria. Isso se dá no reino humano, onde o ser se torna autoconsciente. A evolução, na linha evolutiva humana, inicia-se no elemental, passa pelo mineral e pelo vegetal, chega ao animal para somente então atingir o estágio humano. Portanto, há um plano em cada linha evolutiva. Mesmo nas linhas evolutivas onde as individualidades envolvidas jamais foram Homens e jamais o serão.
Observação: a meditação, em especial a meditação transcendental possibilita a fusão da consciência cósmica com a consciência da mente fora do estado transcendental, isto é, possibilita que a pessoa, fora dos momentos em que está meditando, seja capaz de acessar a consciência cósmica. Por óbvio isso só se dá com o tempo e a prática regular da meditação.
A evolução se processa por metas. Quando uma meta é atingida, passamos para outra do mesmo nível evolutivo, até que todas as metas daquele determinado nível evolutivo sejam atingidas. A partir daí, a individualidade vai continuar seu caminho em outro reino. E essa é a ideia de dharma. O dharma representa aquilo que precisamos aprender em cada nível evolutivo, representa cada meta a ser alcançada. É uma arrogância considerar que somos senhores de nossos destinos. Não é assim que as coisas funcionam.
Então dharma é um dever existencial, é uma prática, é uma lei.
O próprio universo se encarrega de trazer até nós as experiências de que necessitamos para cumprir o nosso dharma. Mas como somos seres dotados de livre arbítrio, durante muito tempo insistimos em agir não de acordo com nosso dharma, mas de acordo com nosso centro egóico. E agindo assim, acumulamos karma, ou seja, geramos a necessidade de retorno às mesmas experiências, nos aprisionando na matéria (samsara). Nesse estágio, temos a possibilidade de compreender as causas do sofrimento. Em seguida começamos a aprender que o sofrimento pode cessar e então aprendemos as causas que levam a essa cessação (quatro nobres verdades).
No esquema abaixo podemos observar a divisão que existe entre o homem mortal e o imortal. A mônada pode se projetar em diversos veículos físicos, cada um deles representado abaixo:

As emoções humanas estão “localizadas” no corpo astral ou kama e faz parte da personalidade mortal do homem. Como sabemos, a segunda morte é justamente a morte da personalidade mortal, geralmente bem depois do desligamento dos corpos físico e etérico.
No que diz respeito ao livre arbítrio, passamos vidas fazendo nossas escolhas de acordo com as exigências da personalidade (figura acima), mas o Eu mortal não percebe a essência divina e suas necessidades. Age de acordo com os instintos e desejos mais rudes, não com a Vontade Divina. Aqui, a prática regular da meditação é de grande auxílio, pois capacita o homem a “acessar” essa tríade superior.
Vivemos para cumprir o dharma, não para satisfazer os caprichos da quaternária inferior. E ao exercitar o livre arbítrio vamos adquirindo a virtude do discernimento, porque entendemos que nem tudo nos convém.
Para concluir, podemos afirmar que o aspecto mais nobre do dharma humano é aprender a servir. O serviço desinteressado é objetivo de nossas existências nesse estágio evolutivo. Somente através dele é possível a libertação do samsara e das exigências da personalidade, da ilusão e do sofrimento.

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